COISAS DA VIDA
Quando eu tinha meus dezesseis anos, morava na vila Margarida em S, Vicente numa casa que meus pais tinham, antes que por la passasse a Rodovia dos Imigrantes, que hoje passa justamente em cima de onde era meu quintal ! Eu já naquela época, gostava muito de vir á praia, e a minha preferida era a do gonzaguinha, onde "coincidentemente" , moro hoje, nas proximidades. A turma da vila, era mais chegada em futebol, bailes no Beija-Flor, um clube que ainda está la, mas que naquela época dava bailes aos sábados . Eu, e alguns amigos mais íntimos, gostávamos mais de frequentar o Praia Clube nas matines de domingo, até que um dia, montamos a Turma dos Caveiras, e promovíamos nós mesmos os bailes americanos aos fins de semana! Como eu dizia, ia sempre a praia, e lá havia um carinha que eu sempre via a desfilar de bermudas coloridas, cabelos loiros, cacheados e compridos, sempre com uma prancha de surf em baixo do braço, e rodeado de gatinhas, naquele tempo, brotos! Eu passava fingindo-me indiferente, mas confesso que com uma certa invejinha do cara, que parecia só se dar bem, e olhava pra gente com um certo olhar de superioridade, parecendo adivinhar que nós morávamos no subúrbio , não tínhamos merda nenhuma, e nem sequer um puto no bolso.O que, não era preciso ser nenhum gênio para notar: Eu sempre com um short, ou bermuda, doado por algum parente mais abastado, sempre com a minha inseparável barriguinha, de tigela de fazer bolo, emborcada, cabelos com brylcreem, ou glostóra, e curtos, pois compridos o" velho" não permitia pois isso era coisa fresco!
E assim, de carona na vida cheguei aos dias de hoje! Eram mais ou menos 17 hs e como sempre faço venho caminhando pelas praias desde a rádio, até em casa, e ao chegar próximo ao "Extra" atravessou a rua um senhor, cabisbaixo, passos lentos, olhar perdido, e ao passar por mim cumprimentou-me com um gesto de cabeça, e foi ai que eu o reconheci. Era aquele antigo rapaz, que eu venho citando na historia! Trajava um surrado sobretudo, e seu andar, seu porte, seu olhar, eram de um homem sumamente cansado.
Bem, tudo isso me leva a pensar, que não adianta a gente querer ser o outro! Cada um de nós é especial para a vida. Todos temos nossa importância no contexto universal, e ninguém jamais é melhor que o outro!
odair flores
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